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A história da República de São Marinho 

Do filme Nemini teneri, que significa “não dependas de ninguém”

© Copyright by V.E. Pizzulin & M. Cecchetti

San Marino

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O Século XVII: São Marinho é idealizada como o refúgio da Democracia

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Boutros Boutros-Ghali

Entretanto, o povo de São Marinho tinha identificado os ossos do santo. Adornaram os restos mortais com a coroa real, símbolo de soberania, e deixaram bem claro por escrito que a sua liberdade fora doada por ele e que ele era o fundador da mesma. Nenhum cardeal, nem Papa, podiam tirar a coroa a um santo numa época de contra-reformação.

 

Dispostos a agradar, São Marinho encontrava-se, agora, à mercê de Roma. Era apenas uma pequena aldeia, como muitas outras escondidas por entre as montanhas que tinham  desde a Idade Média.

Não era mais do que um município dentro do Estado Papal, um pequeno enclave sem defesas, sem protecção.

Na Itália, na Europa, onde quer que fosse, duques e grandes duques, marqueses, barões, reis e imperadores: a opressão e o absolutismo eram uma constante.

Na Holanda, a situação era, de certo modo, menos sombria. Em Veneza, um débil raio de luz começava a raiar. Chegaram a Veneza os rumores de que, num cume dos Apeninos, que fazia parte do Estado Papal, “existia uma comunidade de montanheses, que governavam uma República e que não pertenciam a ninguém”.

 

Os escritores e jornalistas da época apoderaram-se da notícia e, ansiosos por lutar contra o absolutismo, pintaram-na com cores de Liberdade e Democracia, ao ponto de criar a lenda de uma terra feliz.

A notícia chocou o mundo dos soberanos e cruzou os Alpes, chegando a França e à Holanda. Da Holanda, estendeu-se ao resto da Europa, em conjunto com uma concepção cheia  cheirepçto com to da Europa. da Europa. ra feliz.ora doada por ele e que ele era o fundador da sua liberdadede realismo, que ajudou a alimentar o interesse e a reforçar a credibilidade. Alguns decidiram, inclusive, ir até lá e verificar a história por eles mesmos. Entre estes, encontrava-se Addison, o escritor Inglês dos inícios do Século XVIII, quem descobriu a verdadeira faísca da antiga liberdade no cimo da montanha, entre as gentes, misturado com uma fé religiosa muito forte.

Reparou no santo, no centro do altar principal, e quem quer que o ofendesse seria castigado tal qual tivesse blasfemado Deus.

 

Escreveu-se e falou-se, então, sobre São Marinho. São Marinho tomou um lugar permanente no coração e na memória das pessoas. O objectivo fora atingido. A partir de agora, seria defendida por Europa e pelo mundo. Tal tornou-se mais claro pouco tempo depois, quando Roma tentou suprimir a comunidade.

O Cardeal Alberoni, chefiando o exército papal, fez uso de estratagemas astutos e exerceu pressão religiosa para deixar a nação sob o domínio da Igreja. Paris, Madrid e Viena intervieram e São Marinho recuperou a sua independência, no dia 5 de Fevereiro de 1740, o dia de Santa Ágata. Passou, a partir de então, a ser a santa padroeira da República.

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